Brasília – DF / Brasil - aos dezesseis dias do décimo segundo mês do ano de hum mil novecentos e sessenta e três, nasce, com certeza já artista, Jaqueline Campos Vieira.
Formada em Artes Visuais pela Faculdade Brasileira de Teatro / Faculdade de Artes Dulcina de Moraes (FBT).
Seu talento no domínio de várias técnicas, como o pastel, a aquarela, o acrílico, a xilogravura e papel machê, se revela único, ao visitar arredores de sua alma poética.
Assim, inquieta, curiosa, tímida porém intensamente ousada na sua intenção de ser apreciada, é a arte de Jaqueline Campos!
Imagens em (uni)versos de solidão e paixão.
É sempre instigante falar sobre arte. A arte é o lugar que o verossímil ou o inverossímil vêm à cena como tentativa de representar a vida em toda a sua complexidade.
Concordo com Ernest Fisher quando afirma que “a função da arte não é a de passar por portas abertas, mas é a de abrir as portas fechadas.” É justamente, pensando sobre a complexidade e na pretensão de ultrapassar por portas que se abrem, que me permito delinear algumas reflexões sobre a arte de Jaqueline Campos.
Tive contato com a obra da brasiliense Jaqueline Campos recentemente, na exposição organizada pela jornalista Farida Issa, em Ipanema, no Rio de Janeiro. Ao observar sua arte, percebi que tanto nas imagens das xilogravuras, ou nos versos dos poemas, a artista consegue dar forma, buscando apreender sentimentos como a solidão e a paixão.
Nesta perspectiva, Jaqueline Campos abre as portas em sua criação para que possamos vislumbar como as particularidades transpiram universalidade.
Sua arte inventa a ilusão no momento em que costura representações de solidão e paixão.
Inventa a ilusão pelo som das palavras, no silêncio das reticências que acordam os acordes do que se quer escamotear, apagar os rastros da melancolia da solidão e das paixões perdidas. Inventa a ilusão na superfície irregular das gravuras, trazendo à cena as personagens que arremessam inquietações em meio às paisagens urbanas. Solidão e paixão inventadas se fundem, confundindo o olhar pretensioso do observador que se lança à procura de seus próprios desejos, mas que teme encontrar seus fantasmas.
Contudo a solidão e a paixão são verdades suspeitas nas obras de Jaqueline Campos. Pois, se por um lado as imagens das personagens sozinhas iludem pela indagação: a solidão é estar só? Ou é estar apaixonada?
Por outro lado, no contraponto das imagens sozinhas, estão as dos corpos entrelaçados, dos corpos que se tocam, provocando a dúvida se há paixão exorta a solidão? Ou o estar com o outro também pode ser solitário?! Vale lembrar que a xilogravura é a arte em negativo! O que vemos, é o avesso. O paradoxo acena como um possível viés na costura dos sentimentos em representações.
As certezas podem sim transfigurarem-se em incertezas, tudo deve ser suspeito.
É arte. As portas já foram abertas. Cabe agora atravessá-las e imaginar/indagar quais sentimentos devem ser revelados ou obscurecidos. Como um possível viés na costura dos sentimentos em representações. As certezas podem assim transfigurarem-se em incertezas, tudo deve ser suspeito.
Jaqueline Campos nos oferece sua obra que, ao traduzir, consegue desestabilizar a solidão e a paixão. A arte é vida. A vida é complexa. Parabéns Jaqueline!
Sucesso... hoje... sempre...
Jussara Bittencourt de Sá
Profa. Literatura e Estética da Universidade do Sul de Santa Catarina
Doutora em Literatura - UFSC
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